A prática esportiva paralímpica como fator de promoção da autoestima e bem-estar psicológico: uma revisão sistemática da literatura
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2931Palavras-chave:
Esporte paralímpico, Autoestima, Bem-estar psicológico, Pessoas com deficiência, Inclusão socialResumo
A prática esportiva paralímpica configura-se como uma ferramenta de reconexão social e ressignificação pessoal para pessoas com deficiência, transcendendo sua dimensão física. Estudos anteriores apontam seu papel na reabilitação, socialização, melhoria da qualidade de vida e restauração da autoestima. No Brasil, onde cerca de 14,4 milhões de pessoas declaram possuir alguma deficiência, investigar os impactos psicológicos do esporte torna-se urgente. Contudo, ainda são escassas revisões sistemáticas que analisem como o esporte paralímpico influencia as dimensões hedônica e eudaimônica do bem-estar. Esta revisão sistemática buscou sintetizar as evidências científicas nacionais e internacionais sobre os efeitos da prática esportiva paralímpica de rendimento na autoestima e no bem-estar psicológico de atletas. Foram incluídos 15 estudos, publicados entre 2015 e 2025, identificados por meio de buscas no Portal de Periódicos da CAPES seguindo o protocolo PRISMA. Os resultados indicam que a prática esportiva está associada a níveis elevados de autoestima, satisfação com a vida, afeto positivo, resiliência e qualidade de vida, com destaque para o domínio das relações sociais. No entanto, benefícios variam conforme tipo de modalidade, grau de limitação funcional, suporte social e condições ambientais. A predominância de estudos transversais limita inferências causais, reforçando a necessidade de investigações longitudinais e experimentais. Conclui-se que o esporte paralímpico é um potente promotor de saúde psicológica, mas seus efeitos são mediados por fatores contextuais que demandam políticas inclusivas e suporte multidisciplinar.
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