Endometriose em mulheres e homens trans jovens: impacto além da dor e as novas abordagens terapêuticas – uma revisão sistemática

Autores

  • Andreia Gabrielli da Silva Queiroz FAHESP/IESVAP, PI, Brasil
  • Esther Rocha Portela FAHESP/IESVAP, PI, Brasil
  • Renata Araújo Sousa FAHESP/IESVAP, PI, Brasil
  • Ana Rachel Oliveira de Andrade FAHESP/IESVAP, PI, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3327

Palavras-chave:

Endometriose, Qualidade de vida, Tratamento terapêutico, Homens trans, Diagnóstico precoce, Inovação no diagnóstico

Resumo

Introdução: A endometriose consiste em uma condição inflamatória crônica, estrogênio-dependente, que acomete principalmente mulheres em idade fértil, sendo definida pela presença de implantes endometriais (glândula e/ou estroma) fora do útero, com predomínio, mas não exclusivo, na pelve feminina. Entretanto, a literatura recente evidencia que a doença também pode acometer homens trans e pessoas transmasculinas que mantêm órgãos reprodutivos internos, sendo essa população frequentemente subdiagnosticada e invisibilizada nos serviços de saúde. Esse tecido endometrial pode atingir várias regiões fora da cavidade uterina, como ovários, peritônio, ligamentos úterossacros, região retrocervical, septo retovaginal, reto/sigmoide, íleo terminal, apêndice, bexiga e ureteres. Objetivo: Compreender os impactos da endometriose em mulheres jovens, incluindo homens trans, relatando as principais abordagens terapêuticas para melhoria da qualidade de vida. Metodologia: Este trabalho tratou-se de uma revisão bibliográfica de literatura com abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. Foi realizado um levantamento bibliográfico, no qual o estudo foi elaborado e embasado em pesquisas científicas, com base em livros, monografias e artigos científicos, acessíveis em revistas científicas, bibliotecas virtuais e acervo de livros, utilizando descritores padronizados nas bases de dados, foram analisados artigos publicados entre os anos de 2019 até 2025. Resultados: Este trabalho analisou os impactos da endometriose em mulheres jovens e homens trans, com ênfase nos tratamentos disponíveis e suas implicações na qualidade de vida. Os resultados indicaram que a endometriose afeta principalmente indivíduos entre 20 e 35 anos, com diagnóstico frequentemente tardio e dificultado por fatores socioeconômicos. No caso de homens trans, essas dificuldades são ampliadas por barreiras institucionais, preconceito e falta de preparo dos profissionais de saúde. As terapias inovadoras, como a suplementação com vitaminas e antioxidantes, a acupuntura e o uso de novas tecnologias, como inteligência artificial e nanopartículas terapêuticas, mostraram-se eficazes no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida. No entanto, o acesso a essas terapias continua limitado devido a questões financeiras e à falta de políticas públicas que garantam equidade no tratamento. A relação entre endometriose e infertilidade também foi destacada, com tratamentos hormonais e técnicas de reprodução assistida apresentando bons resultados na recuperação da fertilidade. Conclusão: A endometriose tem um impacto significativo na vida de mulheres jovens e homens trans, afetando a qualidade de vida, a saúde reprodutiva e o bem-estar psicológico. Os tratamentos convencionais, como os agonistas de GnRH e os progestágenos, demonstraram eficácia, porém com limitações relacionadas aos efeitos colaterais. Alternativas terapêuticas, como suplementos nutricionais, acupuntura e novas tecnologias, como a inteligência artificial no diagnóstico e nanopartículas terapêuticas, apresentam resultados promissores no alívio dos sintomas. Contudo, o acesso a essas abordagens ainda representa um desafio, especialmente para populações vulneráveis, devido a barreiras financeiras, sociais e institucionais, evidenciando a necessidade de políticas públicas inclusivas e equitativas.

 

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Biografia do Autor

Andreia Gabrielli da Silva Queiroz, FAHESP/IESVAP, PI, Brasil

Graduanda em Medicina pela Afya Faculdade Parnaíba.

Esther Rocha Portela, FAHESP/IESVAP, PI, Brasil

Graduada em Enfermagem pela Faculdade UNINASSAU Parnaíba. Graduanda em Medicina pela Afya Faculdade Parnaíba.

Renata Araújo Sousa, FAHESP/IESVAP, PI, Brasil

Graduanda em Medicina pela Afya Faculdade Parnaíba.

Ana Rachel Oliveira de Andrade, FAHESP/IESVAP, PI, Brasil

Graduada em Ciências Biológicas pela UNIDERP; Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela UNIDERP; Doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela UFMG; Pós doutora em Ciências Biomédicas pela UFPI.

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Publicado

2026-05-14

Como Citar

QUEIROZ, A. G. da S.; PORTELA, E. R.; SOUSA, R. A.; ANDRADE, A. R. O. de. Endometriose em mulheres e homens trans jovens: impacto além da dor e as novas abordagens terapêuticas – uma revisão sistemática. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093327, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3327. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3327. Acesso em: 15 maio. 2026.

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