Gênero, invisibilidade e cárcere feminino: implicações do abandono socioafetivo na função ressocializadora da pena

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3356

Palavras-chave:

Cárcere feminino, Abandono socioafetivo, Ressocialização

Resumo

O encarceramento feminino no Brasil apresentou um crescimento vultoso a partir dos anos 2000, expondo a histórica invisibilidade dessas mulheres perante o Estado. Esse aumento exponencial evidencia necessidades específicas do público feminino, notadamente a manutenção dos laços socioafetivos. Observa-se que a principal distinção entre o cárcere masculino e o feminino é o isolamento, enquanto homens custodiados costumam manter o apoio de redes femininas como esposas, mães e irmãs, as mulheres são frequentemente abandonadas por seus parceiros e familiares logo após a prisão. Sob a ótica do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 da Agenda 2030 (Igualdade de Gênero), os resultados demonstram que as rupturas dos vínculos familiares aprofundam a vulnerabilidade social e emocional das apenadas, manifestando-se pela ausência de visitas e perda de redes de apoio. Tal cenário impacta negativamente a saúde mental, a dignidade e as perspectivas de reintegração social, tornando a carência de suporte um obstáculo à efetividade das políticas de execução penal. Nesse contexto, a presente pesquisa analisa os impactos do abandono socioafetivo no aspecto ressocializador da pena. A metodologia adotada consiste em uma abordagem dedutiva, realizada por meio de pesquisa legislativa, bibliográfica e documental. Conclui-se que a manutenção dos vínculos familiares constitui elemento fundamental para a concretização da finalidade da sanção. Assim, em alinhamento ao ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), mostra-se imperativa a implementação de políticas públicas voltadas à humanização do sistema prisional feminino e à garantia de direitos fundamentais, promovendo mecanismos que favoreçam a inclusão social e uma execução penal pautada na justiça e na dignidade humana.

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Biografia do Autor

Kezia Pereira da Silva, Centro de Ensino Superior de Palmas, TO, Brasil

Graduanda em Direito pelo Centro de Ensino Superior de Palmas-CESUP.

Cristiane Dorst Mezzaroba, Centro de Ensino Superior de Palmas, TO, Brasil

Doutoranda em Direito. Mestre em Educação. Bacharela em Direito. Advogada. Docente na Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS e no Centro de Ensino Superior de Palmas – CESUP.

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Publicado

2026-05-19

Como Citar

SILVA, K. P. da; MEZZAROBA, C. D. Gênero, invisibilidade e cárcere feminino: implicações do abandono socioafetivo na função ressocializadora da pena. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093356, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3356. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3356. Acesso em: 20 maio. 2026.

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