Emendas populares: a relevância da participação do povo na manutenção da democracia
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3418Palavras-chave:
Democracia participativa, Iniciativa popular legislativa, Soberania popular, Lei da Ficha LimpaResumo
O presente estudo analisa a iniciativa popular legislativa como instrumento de participação direta no Estado Democrático de Direito brasileiro, com enfoque em sua efetividade prática. Embora prevista na Constituição Federal de 1988 como expressão da soberania popular, sua aplicação concreta revela limitações estruturais, jurídicas e sociais. A pesquisa parte da constatação de que a democracia contemporânea não pode ser compreendida apenas sob a ótica representativa, sendo necessária a ampliação de mecanismos participativos que aproximem cidadãos e instituições políticas. Neste contexto, a iniciativa popular surge como importante ferramenta de democratização, permitindo que a sociedade participe diretamente da elaboração normativa. Contudo, sua utilização ainda é restrita, sobretudo em razão de exigências formais rigorosas, como a coleta de assinaturas em escala nacional, além da dependência de mobilização organizada. O caso da Lei da Ficha Limpa exemplifica tanto o potencial quanto as dificuldades desse instrumento. A análise crítica evidencia que, apesar do reconhecimento jurídico, a iniciativa popular enfrenta obstáculos que comprometem sua efetividade, incluindo desigualdades sociais, baixa educação política e limitações institucionais. Ademais, a atuação do Poder Judiciário, embora valorize a participação cidadã, tende a reforçar requisitos formais, dificultando a ampliação do acesso. Conclui-se que o fortalecimento da democracia participativa no Brasil depende não apenas da previsão normativa, mas da adoção de medidas que tornem os instrumentos mais acessíveis e inclusivos. Assim, a iniciativa popular, embora relevante, ainda opera de forma limitada, exigindo transformações estruturais para que se consolide como mecanismo efetivo de participação democrática.
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