A ontologia do abjeto: estética, escatologia e transgressão nos underground comix brasileiros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3311

Palavras-chave:

Estética, Escatologia, Epistemologia do Romance, Quadrinhos

Resumo

Este artigo analisa a estética escatológica nos underground comix brasileiros como dispositivo de subversão e reconfiguração dos paradigmas estéticos tradicionais. Parte-se da problematização do feio enquanto categoria historicamente marginalizada, examinando sua ressignificação como elemento crítico e expressivo nas histórias em quadrinhos transgressoras. Metodologicamente, o estudo articula revisão bibliográfica à análise de um corpus selecionado de narrativas e imagens de Angeli, Laerte, Glauco e Marcatti, mobilizando a Epistemologia do Romance como horizonte teórico de leitura. A investigação demonstra que o grotesco e o abjeto operam como mecanismos de subversão simbólica, tensionando os limites entre beleza e feiura e promovendo uma reconfiguração dos valores estéticos na contemporaneidade. Conclui-se que a escatologia, longe de se reduzir a recurso de choque, configura-se como estratégia estética legítima de crítica social, política e comportamental.

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Biografia do Autor

Jackson Pedro Veras, Universidade de Brasília, DF, Brasil

Doutorando e Mestre em Metafísica pelo Programa de Pós-Graduação em Metafísica (PPGμ) da Universidade de Brasília (UnB), especialista em Psicanálise, Docência do Ensino Superior e Psicopedagogia. É graduado em Letras e em Pedagogia. Pesquisador do grupo Epistemologia do Romance, cadastrado no diretório de grupos de pesquisa do CNPq. Estuda as categorias estéticas do grotesco e da escatologia nos Quadrinhos Underground e as ontologias históricas, psicanalíticas, filosóficas e existenciais da Literatura Russa do século XIX, em especial Fiódor Dostoiévski e Liev Tolstói.

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Publicado

2026-05-12

Como Citar

VERAS, J. P. A ontologia do abjeto: estética, escatologia e transgressão nos underground comix brasileiros. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093311, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3311. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3311. Acesso em: 13 maio. 2026.

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