Uso dos anticoncepcionais orais combinados na dermatologia: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3209Palabras clave:
anticoncepcionais orais, dermatologia, hiperandrogenismo, acne, hirsutismoResumen
Os anticoncepcionais orais combinados (ACOs) têm se destacado como uma importante opção terapêutica no manejo de dermatoses associadas ao hiperandrogenismo, como acne, hirsutismo e alopecia androgenética, condições que impactam significativamente a autoestima e a qualidade de vida de mulheres em idade reprodutiva. Além de sua função contraceptiva, esses fármacos exercem efeitos benéficos por meio da modulação do eixo hormonal, promovendo redução da atividade androgênica periférica. Evidências demonstram que seu uso contínuo está associado à diminuição da produção sebácea e da inflamação cutânea, com consequente melhora da acne; à redução da densidade e da velocidade de crescimento de pelos terminais em áreas andrógeno-dependentes; e à desaceleração do afinamento progressivo dos fios, contribuindo para a estabilização da alopecia androgenética. Dessa forma, observa-se não apenas melhora clínica objetiva, mas também impacto positivo na percepção estética, na autoestima e no bem-estar psicossocial das pacientes. Em comparação, métodos contendo apenas progestágeno tendem a ser menos eficazes nesses quadros e podem, em alguns casos, agravar a acne, devendo ser prescritos com cautela em pacientes com queixas dermatológicas sensíveis à ação dos andrógenos, especialmente da testosterona e da di-hidrotestosterona (DHT). Isso se deve, em parte, à ausência do componente estrogênico, que normalmente promove aumento da globulina ligadora de hormônios sexuais, (do inglês Sex Hormone-Binding Globulin) (SHBG), reduzindo a fração livre de andrógenos circulantes. Justificativa: A relevância deste estudo fundamenta-se na alta prevalência de dermatoses responsivas a hormônios e no impacto psicossocial significativo que estas impõem às pacientes. Embora os ACOs sejam amplamente prescritos, a diversidade de formulações e o perfil de efeitos adversos exigem uma síntese atualizada das evidências. Esta revisão justifica-se, portanto, pela necessidade de instrumentalizar o médico com critérios claros para a escolha do progestágeno ideal e o manejo seguro dessas terapias, visando a otimização dos desfechos clínicos e a mitigação de riscos sistêmicos. Objetivo: Avaliar os efeitos dos ACOs no tratamento de doenças dermatológicas associadas ao desequilíbrio hormonal, especialmente àquelas relacionadas ao aumento da atividade androgênica, envolvendo hormônios como a testosterona, a DHT, a androstenediona e o sulfato de deidroepiandrosterona, (do inglês Dehydroepiandrosterone Sulfate) (DHEA-S), discutindo eficácia, segurança e critérios de escolha. Metodologia: Realizou-se revisão da literatura nas bases PUBMED, SciELO e Lilacs, incluindo estudos de 2020 a 2026, utilizando os descritores “anticoncepcionais orais”, “dermatologia”, “acne”, “hirsutismo” e “hiperandrogenismo”. Conclusão: A análise das evidências atuais permite concluir que o uso de ACOs na dermatologia deve ser encarado como uma intervenção sistêmica que exige rigorosa seleção farmacológica. Para o manejo de dermatoses responsivas a hormônios, recomenda-se a priorização de formulações contendo progestágenos com afinidade pelo receptor de andrógeno baixa ou nula, como os de 3ª e 4ª gerações, respectivamente, em detrimento de compostos de gerações anteriores com maior afinidade pelo receptor de andrógenos.
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