Desigualdade de gênero e experiências profissionais de mulheres: reflexões a partir de um cine-debate do PET-Saúde na Universidade Feevale
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3259Palabras clave:
Equidade, Gênero, Profissionais de SaúdeResumen
O presente artigo tem como objetivo relatar a experiência do evento “Cine-Pet I: Desigualdade de Gênero” (BRAGA, 2018), realizado em novembro de 2025, com foco na compreensão das manifestações contemporâneas das desigualdades de gênero no contexto profissional e acadêmico. A proposta do evento foi promover um espaço de reflexão crítica por meio da exibição de um curta-metragem seguido de debate, estimulando a escuta, a troca de experiências e a construção coletiva de conhecimentos. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, estruturada como relato de experiência. O evento ocorreu em formato online, com a participação de quinze mulheres, majoritariamente da área da saúde. A produção dos dados envolveu a exibição do filme, mediação de debate, observação participante e aplicação de questionário com perguntas abertas e fechadas, preservando o anonimato das participantes. A análise dos relatos demonstrou que as desigualdades de gênero continuam organizando práticas e relações no cotidiano das mulheres, especialmente em ambientes com hierarquia de gênero e cobrança por produtividade e resultados. Foram identificados quatro pontos para investigação: desvalorização profissional, hierarquia de gênero, maternidade penalizada, sexualização do corpo da mulher e assédio. Os depoimentos revelaram a necessidade constante de reafirmação de competência, a penalização da maternidade como obstáculo à ascensão profissional e a persistência de práticas de assédio e sexualização no ambiente de trabalho. Conclui-se que, embora exista um conjunto de normas e garantias legais voltadas à promoção da igualdade de direitos, sua efetivação ainda é limitada, o que permite que as desigualdades de gênero permaneçam presentes de maneira naturalizada no cotidiano social e profissional. O evento demonstrou a relevância de espaços dialógicos para a escuta de experiências, articulando diferentes saberes na área de saúde em consonância com a área de conhecimento dos Estudos de Gênero, contribuindo para a para o fortalecimento de possíveis ações coletivas de enfrentamento das desigualdades.
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Citas
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