Associação entre fatores socioeconômicos e prevalência de doença hepática gordurosa metabólica
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3320Palabras clave:
Doença metabólica, Hepatologia, Fatores socioeconômicosResumen
Introdução: A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD) caracteriza-se pelo acúmulo de gordura no fígado relacionado a fatores cardiometabólicos, como obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia. Trata-se de condição silenciosa e de alta prevalência mundial, podendo evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. Fatores socioeconômicos, como renda, escolaridade e local de moradia, podem influenciar hábitos de vida e acesso aos cuidados em saúde, impactando a ocorrência e gravidade da doença. Objetivo: Analisar a associação entre fatores socioeconômicos e a prevalência/gravidade da MASLD em pacientes submetidos à ultrassonografia abdominal em Aracaju, Sergipe. Metodologia: Estudo transversal, descritivo e analítico, com abordagem quantitativa, realizado em clínica privada de referência em ultrassonografia. A amostra foi composta por 100 indivíduos entre 18 e 65 anos. Foram avaliadas variáveis demográficas (sexo, idade, cor/raça) e socioeconômicas (escolaridade, renda, tipo e zona de residência, Critério Brasil). O diagnóstico e graduação da esteatose hepática foram realizados por ultrassonografia abdominal. Para análise estatística utilizaram-se testes de associação, considerando significância de 5%. Resultados: A média de idade foi de 42,3 anos, com predominância do sexo feminino (66%). Quanto ao grau de esteatose, 51% não apresentavam doença, 27% tinham grau 1, 6% grau 2 e 16% grau 3. Houve associação significativa entre maior idade e maior grau de esteatose (p<0,001). Também se observou associação entre renda individual e gravidade da doença (p=0,041), com maior frequência de grau 3 entre indivíduos com renda de 1 a 3 salários-mínimos. Em relação à zona de residência, indivíduos com grau 2 residiam predominantemente em área rural (p=0,011). Não houve associação significativa com sexo, cor/raça ou Critério Brasil. Conclusão: A MASLD apresentou relação significativa com determinantes socioeconômicos, especialmente idade avançada, menor renda e residência em zona rural. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais, promoção de hábitos saudáveis e ampliação do diagnóstico precoce em populações vulneráveis.
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Citas
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