Análise epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde em UTIs adultas nas regiões do Brasil entre 2020 e 2024

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3441

Palabras clave:

Unidades de Terapia Intensiva, Farmacorresistência, Vigilância Epidemiológica, Controle de Infecções, Bacteremia

Resumen

As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam um importante problema de saúde pública, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs) adultas, devido à elevada morbimortalidade, ao uso frequente de dispositivos invasivos, ao aumento do tempo de internação e aos impactos relacionados à resistência antimicrobiana. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo analisar os indicadores epidemiológicos das principais IRAS em UTIs adultas nas regiões do Brasil, no período de 2020 a 2024, com ênfase na densidade de incidência de infecção primária da corrente sanguínea associada a cateter venoso central e infecção do trato urinário associada a cateter vesical de demora, além do perfil microbiológico e dos padrões de resistência antimicrobiana. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo, descritivo e quantitativo, realizado a partir de dados secundários disponibilizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os resultados demonstraram diferenças regionais relevantes, com maior número absoluto de notificações nas regiões Sudeste e Nordeste, além de variações importantes nas densidades de incidência entre as macrorregiões. Observou-se impacto expressivo do período pandêmico, especialmente no ano de 2021, associado ao aumento de internações em UTI, uso de dispositivos invasivos e pressão assistencial. O perfil microbiológico evidenciou predominância de microrganismos Gram-negativos, Gram-positivos e fungos, com destaque para Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter spp., Staphylococcus coagulase negativa, Staphylococcus aureus, Enterococcus spp. e espécies de Candida spp. Verificaram-se ainda percentuais relevantes de resistência antimicrobiana, sobretudo entre bactérias multirresistentes em ambiente hospitalar. Conclui-se que a análise dos indicadores de IRAS em UTIs adultas brasileiras permite identificar desigualdades regionais, fragilidades na vigilância epidemiológica e a necessidade de fortalecimento das medidas de prevenção, controle de infecção e uso racional de antimicrobianos.

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Biografía del autor/a

Laísla Sherydan Lima Chaves, AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança, Pará, Brasil

Graduando(a) em medicina pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança (Brasil).

 

Matheus da Silva Gomes, AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança, Pará, Brasil

Graduando(a) em medicina pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança (Brasil).

Mário Lúcio Silva Saraiva, AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança, Pará, Brasil

Graduando(a) em medicina pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança (Brasil).

Marcella Kelly Costa Almeida, Faculdade de Ciências Médicas de Bragança, PA, Brasil

Docente da AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança (Brasil), Mestre em Doenças Tropicais, Doutora em Doenças Tropicais.

Diandra Araújo da Luz, AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança, Pará, Brasil

Docente da AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Bragança (Brasil), Mestre em Ciências Farmacêuticas, Doutora em Neurociências e Biologia Celular.

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Publicado

2026-05-29

Cómo citar

CHAVES, L. S. L.; GOMES, M. da S.; SARAIVA, M. L. S.; ALMEIDA, M. K. C.; LUZ, D. A. da. Análise epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde em UTIs adultas nas regiões do Brasil entre 2020 e 2024. JRG Journal of Academic Studies , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093441, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3441. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3441. Acesso em: 30 may. 2026.

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