O Luto não reconhecido de crianças na separação dos pais: uma visão psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3515Palavras-chave:
Luto, Psicanálise, Infância, Família, Vínculos familiaresResumo
O luto é uma vivência natural diante de uma perda. Trata-se de um processo emocional envolvendo a dor de uma morte física ou ausências. Nesse sentido, o presente trabalho aborda o luto não reconhecido em crianças diante da separação dos pais, sob a ótica psicanalítica. A pesquisa, de natureza qualitativa e de fundamentação teórica, buscou analisar como a perda da estrutura familiar e da convivência com um dos genitores pode repercutir no psiquismo infantil, produzindo sofrimento emocional, sentimento de culpa, medo e rejeição. A partir das contribuições de Freud, Winnicott, Edler, Dunker, D’Affonseca, Guimarães, Marinho e Pimentel, entre outros, discute-se o luto como processo de elaboração psíquica necessário e inevitável diante da perda de um objeto de amor. Verificou-se que, quando não há espaço para simbolização e reconhecimento desse luto, a criança pode desenvolver sintomas que vão desde dificuldades emocionais e escolares até quadros mais graves de melancolia e adoecimento psíquico. A escuta psicanalítica surge como recurso essencial para o reconhecimento do sofrimento infantil, permitindo à criança elaborar suas perdas e reorganizar suas relações afetivas. Conclui-se que o divórcio, enquanto evento social e familiar, demanda atenção não apenas aos adultos envolvidos, mas também às crianças, cujas experiências de luto muitas vezes permanecem silenciadas. Reconhecer e dar lugar a esse sofrimento é fundamental para prevenir desdobramentos patológicos e possibilitar o desenvolvimento saudável.
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