Avaliação da qualidade de vida em mulheres após cirurgia de endometriose: revisão integrativa da literatura
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3350Palabras clave:
Endometriose, Cirurgia, Qualidade de vida, VideolaparoscopiaResumen
Introdução: A endometriose é uma patologia inflamatória crônica de etiologia incerta que compromete severamente a qualidade de vida e a funcionalidade das pacientes (FEBRASGO, 2021). Diante da limitação das terapias clínicas, a videolaparoscopia excisional surge como padrão-ouro para restaurar a anatomia e mitigar a dor nociplástica — fenômeno decorrente da amplificação das vias nociceptivas centrais que pode persistir independentemente da remoção das lesões periféricas (MANU et al., 2025). A utilização de instrumentos validados, como EHP-30, é fundamental para mensurar, de forma padronizada, a eficácia e a sustentabilidade desses benefícios cirúrgicos (GUO et al., 2025). Objetivo: Avaliar o impacto multidimensional e a sustentabilidade do tratamento cirúrgico na qualidade de vida de mulheres com endometriose, utilizando instrumentos validados para mensurar a recuperação funcional e o alívio da dor. Metodologia: Revisão integrativa de natureza qualitativa, realizada entre julho e outubro de 2025 nas bases Medline/PubMed, SciELO e LILACS, utilizando a estratégia PICO e os descritores "Endometriosis", "Quality of Life" e "Surgery". Foram incluídos artigos íntegros publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês e espanhol. Após triagem, a amostra final consistiu em 19 estudos, cujos dados foram analisados de forma descritiva. Resultados/Discussão: A intervenção cirúrgica, especialmente a videolaparoscopia excisional, demonstrou melhora significativa na qualidade de vida (QV), superando o tratamento clínico isolado em desfechos de bem-estar biopsicossocial. Os benefícios são mais acentuados na endometriose profunda (DIE) e podem se sustentar por mais de uma década; contudo, é necessário suporte multidisciplinar. Os estudos sugerem que exérese completa das lesões é o fator determinante para o sucesso terapêutico, sendo a avaliação via instrumentos validados como o Endometriosis Health Profile-30 (EHP-30), um índice essencial para o planejamento clínico e a mensuração da recuperação funcional e sexual das pacientes. Conclusão: A videolaparoscopia excisional restaura a qualidade de vida, mas exige cuidado interdisciplinar e suporte psicofísico para o manejo pleno da dor crônica e recuperação global.
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