O Engodo da Parte e a Invenção Neurótica da Pulsão
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3371Palabras clave:
Pulsão Parcial, Melancolia, Demanda, MetonímiaResumen
A pulsão comparece ao campo analítico já traduzida pelas coordenadas neuróticas - mediada pela gramática da demanda. Partindo dessa hipótese lacaniana, este artigo investiga o estatuto da parcialidade na psicanálise e acompanha o modo pelo qual a própria radicalização do objeto parcial faz emergir regiões de impasse no interior da teoria da pulsão. Sustentamos que, ao deslocar a parcialidade da “ontologia da parte” para o funcionamento diferencial da cadeia significante, Lacan não apenas transforma o estatuto do objeto pulsional, mas reabre o problema das condições mesmas pelas quais um objeto pode operar como resto e causa. A partir da fórmula da pulsão como ($◊D) no Grafo do Desejo, mostramos como a neurose pode ser relida como uma estrutura de perseveração da demanda, isto é, como uma maquinaria significante que sustenta a circulação do desejo ao manter o objeto parcial em posição de relançamento permanente da cadeia. Em contraste, propomos que a melancolia torna visível o ponto em que essa economia começa a falhar: o objeto reaparece como presença compacta da Coisa. A melancolia revela, assim, uma região particularmente instável da teoria lacaniana da pulsão, na qual vacilam não apenas as condições estruturais da extração do objeto, mas a própria distância que sustentava a distinção entre o sujeito e a causa de seu desejo - que a teoria lacaniana continua a escrever em termos de objeto.
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