O Engodo da Parte e a Invenção Neurótica da Pulsão

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3371

Palabras clave:

Pulsão Parcial, Melancolia, Demanda, Metonímia

Resumen

A pulsão comparece ao campo analítico já traduzida pelas coordenadas neuróticas - mediada pela gramática da demanda. Partindo dessa hipótese lacaniana, este artigo investiga o estatuto da parcialidade na psicanálise e acompanha o modo pelo qual a própria radicalização do objeto parcial faz emergir regiões de impasse no interior da teoria da pulsão. Sustentamos que, ao deslocar a parcialidade da “ontologia da parte” para o funcionamento diferencial da cadeia significante, Lacan não apenas transforma o estatuto do objeto pulsional, mas reabre o problema das condições mesmas pelas quais um objeto pode operar como resto e causa. A partir da fórmula da pulsão como ($◊D) no Grafo do Desejo, mostramos como a neurose pode ser relida como uma estrutura de perseveração da demanda, isto é, como uma maquinaria significante que sustenta a circulação do desejo ao manter o objeto parcial em posição de relançamento permanente da cadeia. Em contraste, propomos que a melancolia torna visível o ponto em que essa economia começa a falhar: o objeto reaparece como presença compacta da Coisa. A melancolia revela, assim, uma região particularmente instável da teoria lacaniana da pulsão, na qual vacilam não apenas as condições estruturais da extração do objeto, mas a própria distância que sustentava a distinção entre o sujeito e a causa de seu desejo - que a teoria lacaniana continua a escrever em termos de objeto.

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Biografía del autor/a

Lucas Neckel, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil

Graduado em Psicologia pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ). Mestre e doutorando em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordena o grupo de pesquisa OITOINVERSO.

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Publicado

2026-05-21

Cómo citar

NECKEL, L. O Engodo da Parte e a Invenção Neurótica da Pulsão. JRG Journal of Academic Studies , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093371, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3371. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3371. Acesso em: 21 may. 2026.

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