O papel do enfermeiro no comportamento suicida e auto lesão na infância e adolescência

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3373

Palabras clave:

Adolescência, Autolesão, Comportamento suicida, Enfermagem em Saúde Mental, Saúde mental

Resumen

A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem aumentar a vulnerabilidade a sofrimentos psíquicos. Nesse contexto, a autolesão e o comportamento suicida entre adolescentes configuram-se como importantes problemas de saúde pública, demandando atenção especial dos profissionais da área da saúde, especialmente da Enfermagem em Saúde Mental. Este estudo teve como objetivo analisar o papel do enfermeiro no cuidado, acolhimento e prevenção do comportamento suicida e da autolesão na adolescência, bem como discutir os fatores de risco associados a esses comportamentos. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, fundamentada na análise crítica de livros, artigos científicos e documentos oficiais de órgãos nacionais e internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil. A revisão da literatura evidenciou que fatores como conflitos familiares, negligência afetiva, violência, bullying, transtornos mentais, isolamento social e uso de substâncias psicoativas estão fortemente associados à ocorrência de comportamentos autolesivos e à ideação suicida em adolescentes. Os resultados apontam que a autolesão, especialmente a autolesão sem intenção suicida, deve ser compreendida como uma forma de expressão do sofrimento emocional, e não apenas como um comportamento impulsivo ou um pedido de atenção. Além disso, destaca-se que a prática da autolesão pode representar um importante marcador de risco para o desenvolvimento de ideação e tentativas de suicídio, reforçando a necessidade de intervenções precoces. Nesse cenário, a enfermagem exerce papel fundamental na identificação de sinais de alerta, no acolhimento humanizado e na promoção da saúde mental. A escuta qualificada, a empatia, o fortalecimento do vínculo terapêutico e a orientação aos familiares configuram-se como estratégias essenciais no cuidado ao adolescente em sofrimento psíquico. Conclui-se que a atuação qualificada e sensível da equipe de enfermagem, aliada a políticas públicas eficazes e à atuação interdisciplinar, é indispensável para a prevenção da autolesão e do comportamento suicida na adolescência.

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Biografía del autor/a

Ryan Pascoal Santos Trindade, Centro Universitário Santa Terezinha, MA, Brasil

Graduando(o) em Enfermagem pelo Centro universitário Santa Terezinha CEST.

Suzete Aragão Feijó Pereira, Universidade Federal do Maranhão, MA, Brasil

Especialista em Enfermagem em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA.

Citas

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Publicado

2026-05-21

Cómo citar

TRINDADE, R. P. S.; PEREIRA, S. A. F. O papel do enfermeiro no comportamento suicida e auto lesão na infância e adolescência. JRG Journal of Academic Studies , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093373, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3373. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3373. Acesso em: 21 may. 2026.

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