A Proteção contra a discriminação na adoção homoafetiva no Brasil: análise da resolução CNJ n° 532/2023 e seus impactos na efetividade do direito à formação familiar inclusiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3374

Palavras-chave:

Adoção por casais do mesmo sexo, Formação familiar inclusiva, Não discriminação, Conselho Nacional de Justiça, Direitos fundamentais

Resumo

A proteção contra a discriminação na adoção por casais do mesmo sexo é analisada a partir da Resolução CNJ nº 532/2023 e de suas implicações para o direito à formação familiar inclusiva. O estudo fundamenta-se nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade material e do pluralismo familiar, bem como na jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal sobre o reconhecimento das uniões homoafetivas como entidades familiares. Adota-se abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, documental e normativa, com análise de produções científicas, doutrina jurídica, decisões judiciais e documentos institucionais relacionados ao sistema de adoção. A análise indica que, apesar da existência de bases normativas consistentes para a proteção das famílias homoafetivas no ordenamento jurídico brasileiro, práticas discriminatórias ainda podem persistir no âmbito institucional, influenciadas por aspectos culturais, estruturais e regionais. A Resolução CNJ nº 532/2023 configura-se como instrumento relevante de governança judicial ao estabelecer diretrizes para prevenir preconceitos, promover a capacitação de operadores do direito e fortalecer mecanismos de supervisão. Sua aplicação pode contribuir para ampliar a proteção jurídica da adoção por casais do mesmo sexo, reduzir margens de subjetividade discriminatória e reforçar o princípio do melhor interesse da criança. Conclui-se que a efetividade do direito à formação familiar inclusiva requer a internalização dos valores constitucionais no sistema de justiça, a continuidade das políticas públicas judiciais e o fortalecimento de uma cultura institucional comprometida com os direitos humanos, a dignidade e a igualdade. O estudo evidencia o papel do Conselho Nacional de Justiça na indução de práticas judiciais antidiscriminatórias e aponta a necessidade de monitoramento permanente para assegurar a adoção inclusiva no Brasil.

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Biografia do Autor

Kassandra Paiva Mascarenhas, Centro de Ensino Superior de Palmas, TO, Brasil

Graduanda em Direito pelo Centro de Ensino Superior de Palmas.

Crislene Divina dos Santos Luz, Instituto Tocantinense de Educação Superior e Pesquisa Ltda

Graduada em Direito. Especialista em Direito Constitucional pela Escola Superior da Magistratura; Especialista em Direito privado pela Escola Superior da Magistratura; Mestranda em Direito pela Estácio de Sá.

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Publicado

2026-05-21

Como Citar

MASCARENHAS, K. P.; LUZ, C. D. dos S. A Proteção contra a discriminação na adoção homoafetiva no Brasil: análise da resolução CNJ n° 532/2023 e seus impactos na efetividade do direito à formação familiar inclusiva. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e093374, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.3374. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/3374. Acesso em: 21 maio. 2026.

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