Projeto terapêutico singular no cuidado a uma idosa hipertensa em situação de vulnerabilidade social: relato de experiência na atenção primária à saúde
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3465Palavras-chave:
Atenção domiciliar, Atenção primária à saúde, Projeto terapêutico singular, Vulnerabilidade social, Visita domiciliarResumo
Objetivo: O objetivo deste estudo é relatar a experiência de construção e aplicação de um Projeto Terapêutico Singular voltado ao cuidado integral de uma idosa em situação de vulnerabilidade social acompanhada na Atenção Primária à Saúde. Métodos: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por acadêmicos de Medicina com atividades práticas em saúde da comunidade, realizadas no município de Bragança, Pará. O acompanhamento ocorreu por meio de visitas domiciliares, escuta qualificada, observação do contexto familiar e territorial e utilização de ferramentas de abordagem familiar, genograma, ecomapa e APGAR Familiar. Resultados: O acompanhamento permitiu identificar vulnerabilidades relacionadas às limitações funcionais decorrentes de acidente vascular cerebral, hipertensão arterial, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, barreiras de acessibilidade, isolamento social e fragilidades familiares. Em contrapartida, observaram-se potencialidades importantes, como a existência de rede de apoio familiar, vínculo com os serviços de saúde e forte suporte religioso. A aplicação do plano terapêutico envolveu ações de educação em saúde, fortalecimento da adesão ao tratamento, prevenção de agravos, estímulo à participação familiar e promoção da autonomia possível. A entrega do projeto foi acompanhada de tecnologias leves voltadas à organização do cuidado e ao fortalecimento do vínculo entre usuária, família e equipe. Conclusões: A experiência evidenciou que o Projeto Terapêutico Singular se configura como ferramenta essencial para a organização do cuidado integral, humanizado e centrado na pessoa, favorecendo a articulação entre necessidades individuais e recursos do território, além de contribuir para a formação acadêmica ao desenvolver competências como escuta qualificada, trabalho em equipe e abordagem familiar.
Downloads
Referências
BOUSQUAT, A.; AKERMAN, M.; MEDINA, M. G.; FACCHINI, L. A.; TASCA, R.; MOTA, P. H. S.; et al. Avaliação da atenção primária à saúde no Brasil: concepção e metodologia do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde 2024. Cad Saúde Pública [Internet]. 2025. Disponível em: < https://cadernos.ensp.fiocruz.br >. Acesso em 22 mai 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Mais de 3,4 mil equipes multiprofissionais da Atenção Primária à Saúde foram implantadas em 2024 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2024. Disponível em: < https://www.gov.br/saude >. Acesso em 21 mai 2026.
SOUSA, E. S; FIORONI, L. N.; FRIZZO, H. C. F. Projeto terapêutico singular na Rede de Atenção Psicossocial: harmonias e dissonâncias de compreensões e práticas. Rev Interfaces Saúde Hum Tecnol [Internet]. 2025. Disponível em: https://www.interfaces.unileao.edu.br >. Acesso em 22 mai 2026.
VIERO, F. C.; ARPINI, D.M.; Projeto terapêutico singular e cuidado em saúde mental: o que profissionais revelam. PSI UNISC [Internet]. 2024. Disponível em: https://seer.unisc.br >. Acesso em 22 mai 2026.
DALTRO, M. R.; FARIA, A. A. Relato de experiência: uma narrativa científica na pós-modernidade. Estud Pesqui Psicol. 2019; 19(1): 223-37.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2017.
WRIGHT L. M., LEAHEY, M. Nurses and families: a guide to family assessment and intervention. 6th ed. Philadelphia: F.A. Davis Company; 2013.
NASCIMENTO, L. C.; DANTAS, I. R. O.; ANDRADE R. D.; MELLO, D. F. Genograma e ecomapa: contribuições da enfermagem brasileira. Texto Contexto Enferm. 2014; 23(1): 211-20.
SMILKSTEIN G. The family APGAR: a proposal for a family function test and its use by physicians. J Fam Pract. 1978; 6(6): 1231-9.
BRASIL. Ministério da Saúde. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2007.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. World social report 2025: ageing with dignity and social participation. Geneva: WHO; 2025.
MERHY, E. E. Saúde: a cartografia do trabalho vivo em ato. São Paulo: Hucitec; 2002.
MERHY, E. E.; FEUERWERKER, L. C. M. Novo olhar sobre as tecnologias de saúde: uma necessidade contemporânea. In: Merhy EE, Baduy RS, Seixas CT, Almeida DES, Slomp Junior H, organizadores. Avaliação compartilhada do cuidado em saúde: surpreendendo o instituído nas redes. Rio de Janeiro: Hexis; 2016. p. 59-72.
CASTILHO, A. M.; GIROTTO, K. C.; JACOB, L. A; et al. Projeto terapêutico singular em um município do interior paulista: um estudo de caso. Bol Inst Saúde. 2017;18(Supl): 9-12.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de atenção domiciliar. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
GORRIS, P.; SANTOS, M.; ALMEIDA, R.; COSTA, A. Escuta qualificada e humanização do cuidado na Atenção Primária à Saúde: revisão integrativa. Rev APS. 2024;27(1):1-12.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Guia para o cuidado da pessoa idosa na Atenção Primária à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2024.
VERAS, R. P.; OLIVEIRA, M. Envelhecer no Brasil: a construção de um modelo de cuidado. Cien Saude Colet. 2024;29(2):e00000024.
CECCIM, Ricardo Burg. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 16, p. 161-177, 2005.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
ARK
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

































